domingo, 30 de janeiro de 2011

Teatro

 Teatro

 A Semana de Arte Moderna realizada em São Paulo em 1922 seja considerada um marco na renovação artística brasileira, só muito tardiamente os seus efeitos se fizeram sentir no panorama geral do teatro brasileiro.
 Até as décadas de 20 e 30 predominavam ainda, com poucas exceções, as comédias de costumes e as peças sentimentais. Na década de 40, no entanto, em vista das agitações provocadas pela Segunda Guerra Mundial, vêm ao Brasil Louis Jouvet e Ziembinski, homens de teatro que nos trouxeram sua valiosa experiência. Ziembinski, principalmente, foi uma figura que se destacou, participou do grupo Os Comediantes que, em 1943, encenou a peça de Nelson Rodrigues Vestido de noiva, uma das obras que marcaram a renovação de nosso teatro.
 Outros grupos de renovação teatral surgiram até que em 1948 fundou-se o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), que, além de diretores como Ruggero Jacobbi e o próprio Ziembinski, contava, no seu elenco, com os atores: Cacilda Becker, Cleyde Yáconis, Tônia Carrero, Nydia Lícia, Maria Della Costa, Paulo Autran, Sérgio Cardoso, Walmor Chagas, Jardel Filho, Juca de Oliveira e outros. Mais tarde esse grupo desfez por problemas econômicos e vários atores formaram suas próprias companhias.
 Apesar da importância do TBC, predominava ainda a encenação de autores estrangeiros e, em 1953, com a fundação do Teatro de Arena, com José Renato à frente, junto com Augusto Boas, houve a tentativa de se criar um estilo brasileiro para um teatro que apresentasse peças referentes à nossa realidade.
 Algumas obras importantes de nossa dramaturgia foram então encenadas pelo novo grupo, como Eles não usam black-tie (de Gianfrancesco Guarnieri); Chapetuba futebol clube (de Oduvaldo Vianna Filho); Revolução na América do Sul (de Augusto Boal) e outras. Na ausência de obras nacionais que abordassem a nossa realidade social de maneira crítica, eram encenadas peças estrangeiras que tivessem de certa forma, uma relação com a situação brasileira. Houve, por exemplo, a montagem de O tartufo (Molière); A mandrágora (Maquiavel), além da inflência de Brecht na encenação, na década de 60, de Arena conta Zumbi  e Arena conta Tiradentes.
 Paralelamente, e com preocupações afins, formava-se, no Rio de Janeiro, o Grupo Opinião, que contava com Denoy de Oliveira, Ferreira Gullar, Oduvaldo Vianna Filho e outros.

 Principais autores:

 Nelson Rodrigues

 Um dos principais renovadores do teatro brasileiro. Em suas obras, rompeu com os limites da consciência mergulhando no subconsciente, além de abordar também problemas sociais. Suas peças mais importantes são: Vestido de noiva; Álbum de família; Senhora dos afogados; A falecida; Boca de ouro; Beijo no asfalto; Toda nudez será castigada.

 Jorge Andrade

 Sua obra apresenta uma reconstrução crítica de fases importantes da nossa história, sobretudo do ciclo do café, além de focalizar o problema da decadência dos valores patriarcais numa sociedade em transformação. Essas peças estão reunidas no volume Marta, a árvore e o relógio.

 Ariano Suassuna

 Trouxe para o teatro brasileiro moderno a tradição do auto com elementos do folclore nordestino. Destacam-se, na sua produção as peças: O auto da compadecida; O santo e a porca; A pena e a lei.

 Plínio Marcos

 Marcou presença em nosso teatro pela violência de sua temática e pela linguagem franca e direta, que desnuda de maneira bem crítica os problemas da classe média brasileira e dos marginalizados pelo sistema social. Principais obras: Dois perdidos numa noite suja; Navalha na carne; Quando as máquinas param.

 Gianfrancesco Guarnieri

 Em suas peças revela-se uma constante preocupação com os problemas de nossa realidade social e política. Merecem destaque, na sua produção, as seguintes peças: Eles não usam black tie; Gimba; A semente; Arena conta Zumbi; (as duas últimas em parceria com Augusto Boal); Castro Alves pede passagem; Botequim; Um grito parado no ar; Ponto de partida.

 Muitos outros autores podem ser citados, como Dias Gomes, Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes, Chico Buarque, Leilah Assunção, Consuelo de Castro, Antônio Bivar, José Vicente, entre outros.

 Eles não usam black-tie

 Esta peça de Gianfrancesco Guarnieri foi encenada em 1958 e constitui um bom exemplo de realismo crítico do autor na abordagem de problemas sociais.
 A ação transcorre numa favela (anos 50) e focaliza o choque de posições entre pai e filho - Otávio e Tião - a respeito de uma greve por aumento de salário que estoura na fábrica em que trabalham. Otávio (o pai) acredita que só a união de todos os operários pode levar a uma melhoria nas condições de trabalho, fazendo-os sair da miséria em que vivem, enquanto Tião, por ter sido criado pelos padrinhos na cidade, não quer para si o futuro comum das pessoas do morro. Dizendo ter medo de perder o emprego, porque estava para casar com Maria, ele fura a greve, desapontando o pessoal da favela, inclusive sua noiva.


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