terça-feira, 26 de outubro de 2010

Pré-Modernismo

 Pré-Modernismo - Nas primeiras décadas do século XX, surgiram no Brasil alguns escritores que tiveram uma outra atitude perante a nossa realidade sócio-cultural.
 Expressando uma visão mais crítica dos problemas brasileiros, autores como Monteiro Lobato, Lima Barreto, Euclides da Cunha e Graça Aranha acabaram por antecipar uma das tendências que marcaram o Modernismo, que foi a criação de uma literatura que investigasse e questionasse mais profundamente o Brasil. Por isso, esses autores podem ser considerados pré-modernistas.
 Os autores do período do pré-modernismo expressaram em suas obras a consciência de alguns dos problemas que afetavam a realidade nacional, fazendo a denúncia de certos desequilíbrios sócio-culturais importantes tais como: a difícil situação do sertanejo nordestino, o contraste entre o nível de vida das diversas camadas da sociedade, a decadência e a pobreza de muitas regiões isoladas do interior etc.

 Monteiro Lobato

 Escritor de contos de tendência regionalista e de histórias para crianças, as melhores que se já fizeram no Brasil, empresário de seus livros e fundador de nossa primeira editora ( Editora Monteiro Lobato e Cia.), ele inovou a história da indústria editorial no Brasil, profissionalizou e sistematizou a produção de livros, tudo isso para difundir o gosto pela literatura num país semi-analfabeto.

 Lima Barreto

 O lugar de destaque que ocupa em nossa literatura se deve ao realismo com que representou a sociedade carioca, sobretudo, o povo sofrido dos subúrbios. Marginalizado pelas elites literárias, Lima Barreto expressou em sua própria linguagem essa marginalidade: em vez do excessivo rebuscamento e cuidado gramatical que dominava a literatura da época, seu estilo é simples e comunicativo, tendo sido considerado, por seus contemporâneos, um escritor desleixado. A semana de Arte Moderna de São Paulo passou sem que suas obras fossem citadas, nem os rebeldes paulistas reconheceram o talento do escritor rebelde e incompreendido.

 Euclides da Cunha

 Euclides da Cunha publicou em 1902, Os Sertões, baseado nas pesquisas e reportagens feitas para o jornal paulista, causando um grande impacto pela originalidade da obra, exuberância de seu estilo e pela corajosa crítica às ações do Exército.

 Enredo de Os Sertões

  A denúncia do crime cometido pela nação contra si própria na Guerra de Canudos é, assim, o grande tema de Os Sertões. Na primeira parte - A Terra - Euclides descreve geograficamente, do geral para o particular, a paisagem, as condições climáticas e pluviais, a estrutura física do Brasil. Centraliza-se no sertão, associando a dureza do seu habitante - Hércules - Quasímodo e aleijão (herói e aleijão) às dificuldades das condições de vida da região.
 Na segunda parte - O Homem - vai comparando, também do geral para o particular, os vários tipos brasileiros. Detem-se no sertanejo e passa à terceira parte - A Luta - onde narra num estilo tortuoso e grandiloquente, a história da resistência heróica de Antônio Conselheiro e de seus correligionários e de seu massacre "aleijão" pelo exército nacional.
 Em Os Sertões, o determinismo cientificista que caracteriza a obra é superado pela atualidade do assunto que trata a obra.

 Graça Aranha

 Graça Aranha era membro da Academia Brasileira de Letras e diplomata, ficou ao lado da nova geração de artistas, foi através do seu apoio ao movimento modernista, eles foram levados à sério pela sociedade, pois Graça Aranha não apreciava o conservadorismo da época.

 Augusto dos Anjos

 Augusto do Anjos é considerado um poeta sem classificação no contexto da literatura brasileira. Isto porque se utilizou em seus poemas vários estilos, usando palavras estranhas e inusitadas em poesias, chocando o leitor. É tipicamente um poeta de transição, utilizou-se de características parnasianas mas procurou um novo caminho para expressar-se.

                                                  Psicologia de um vencido

                                          Eu, filho do carbono e do amoníaco,
                                          Monstro de escuridão e rutilância,
                                          Sofro, desde a epigênesis da infância,
                                          A influência má dos signos do zodíaco.

                                          Profundissimamente hipocondríaco,
                                          Este ambiente me causa repugnância...
                                          Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
                                          Que se escapa da boca de um cardíaco.

                                          Já o verme - este operário das ruínas -
                                         Que o sangue podre das carnificinas
                                         Come, e à vida em geral declara guerra,

                                         Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
                                         E há-de deixar-me apenas os cabelos,
                                         Na frialdade inorgânica da terra!

  



        

                                        
          





segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Parnasianismo e Simbolismo

 Parnasianismo e simbolismo

 Duas concepções poéticas diferentes - Nas últimas décadas do século XIX, a literatura brasileira trilhou novos caminhos, abandonando o exagerado sentimentalismo dos românticos.
 Enquanto na prosa, houve o desenvolvimento do Realismo e do Naturalismo, na poesia presenciamos o surgimento de dois novos movimentos: O Parnasianismo e o Simbolismo.

 Estilo parnasiano

Na França, quando o romance realista - tendo a frente Zola - seguiu para o Naturalismo, seduzido pelo cientificismo da época, a sensibilidade dos poetas, não aceitando bem a imagem do "homem fisiológico", resolveu comprometer-se com o respeito pela arte, pelo ofício e pelo artifício. Um grupo de poetas publicou uma coletânea de versos intitulada Parnaso Contemporâneo, lembrando o nome da montanha da Fócida, Parnaso, consagrada a Apolo e às Musas. Talvez assim pretendessem patentear seu isolamento e sua elevação. Esses poetas e seus seguidores passaram a ser chamados de parnasianos.

 Características das poesias parnasianas:

 -Preocupação formal que se revela na busca da palavra exata, caindo muitas vezes no preciosismo; o parnasiano, confiante no poder da linguagem, procura descrever objetivamente a realidade.
 -Comparação da poesia com as artes plásticas, sobretudo com a escultura.
 -Atividade poética encarada como habilidade no manejo dos versos.
 -Frequentes alusões a elementos da mitologia grega e latina.
 -Preferência por temas descritivos - cenas históricas, paisagens, objetos, estátuas etc.
 -Enfoque sensual da mulher, com ênfase na descrição de suas características físicas.


                                            Última deusa

                    Foram-se os deuses, foram-se, em verdade;
                    Mas das deusas alguma existe, alguma
                    Que tem teu ar, a tua majestade,
                    Teu porte e aspecto, que és tu mesma, em suma.

                    Ao ver-te com esse andar de divindade,
                    Como cercada de invisível bruma,
                    A gente à crença antiga se acostuma
                    E do Olimpo se lembra com saudade.

                    De lá trouxeste o olhar sereno e garço,
                    O alvo colo onde, em quedas de ouro tinto,
                    Rútilo rola o teu cabelo esparso...

                    Pisas alheia terra... Essa tristeza
                    Que possuis é de estátua que ora extinto
                     Sente o culto da forma e da beleza.

                                                                           (Alberto de Oliveira)


                                       A um poeta

                   Longe do estéril turbilhão da rua,
                   Beneditino escreve! No aconchego
                   Do claustro, na paciência e no sossego.
                   Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

                   Mas que na forma se disfarce o emprego
                   Do esforço; e a trama viva se construa
                   De tal modo, que a imagem fique nua,
                   Rica mas sóbria, como um templo grego.

                   Não se mostre na fábrica o suplício
                   Do mestre. E natural, o efeito agrade,
                   Sem lembrar os andaimes do edifício:

                   Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
                   Arte pura, inimiga do artifício,
                   É a força e a graça na simplicidade.

                                                                                 (Olavo Bilac)

 Versificação: Soneto14 versos, 4 estrofes, 2 quartetos e 2 tercetos.
 Versos: decassílabos (10 sílabas poéticas).
 Rima: ABBA/ BAAB/ CDC/ DCD.
 Metalinguistíca: Mensagem como tema. Um poeta dedicando o poema ao poeta. Olavo Bilac dedica a sua poesia a um poeta Beneditino - fala sobre a construção e o "sofrimento" do monge Beneditino na composição dos seus poemas. Composição da poesia: racional, construída a partir do trabalho dos artistas que gostam de usar a razão, a técnica, a lógica e buscam sempre a perfeição formal.


 Simbolismo

 O movimento simbolista também é de origem francesa e seu marco inicial no Brasil é a publicação, em 1893, de dois livros de Cruz e Sousa: Missal (poemas em prosa) e Broquéis (poesias).
 Por seu subjetivismo, o Simbolismo apresenta algumas semelhanças com a poesia romântica, porém a grande diferença reside na linguagem bem mais trabalhada dos simbolistas, que procuram obter variados efeitos rítmicos e sonoros.
 -Preocupação formal que se revela na busca de palavras de grande valor conotativo e ricas em sugestões sensoriais; o simbolista não pretende descrever a realidade, mas sugeri-la.
 -Comparação da poesia com a música.
 -A poesia é encarada como forma de evocação de sentimentos e emoções.
 -Frequentes alusões a elementos evocadores de rituais religiosos (incenso, altares, cânticos, arcanjos, salmos etc.)
 -Preferência por temas subjetivos, que tratem da morte, destino, de Deus etc.
 -Enfoque espiritualista da mulher, envolvendo-a num clima de sonho onde predomina o vago, o impreciso e o etéreo.

 Trechos do poema Antífona de Cruz e Sousa:

 Ó formas alvas, brancas, formas claras
 De lugares, de veves, de neblinas!...
 Ó formas vagas, fluidas, cristalinas...
 Incensos dos turíbulos das aras...

 Formas do amor, constelarmente puras,
 De virgens e santas pavorosas...
 Brilhos errantes, mádidas frescuras
 E dolências de lírios e de rosas...

 Indefiníveis músicas supremas,
 Harmonias da cor e do perfume...
 Horas do ocaso, trêmulas, extremas,
 Réquim do sol que a dor da luz resume...

 Visões, salmos e cânticos serenos,
 Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
 Dormências de volúpticos venenos
 Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...

 Infinitos espíritos dispersos,
 Inefáveis, edênicos, aéreos,
 Fecundai o mistério destes versos
 Com a chamada ideal de todos os mistérios.

 Do sonho as mais azuis diafaneidades
 Que fuljam, que na estrofe se levantem
 E as emoções, todas as castidades
 Da alma do verso, pelos versos cantem.

 O poema Antífona de Cruz e Sousa, apresenta a tematização do mistério, sensações, angústia da dor de existir e elevação do espírito.
 É um poema de cunho e vocabulário religioso como o próprio título - Antífona é um curto versículo recitado ou cantado antes ou depois de um salmo. Palavras como incenso, turíbulos, visões, salmos, cânticos.
 Como característica marcante do Simbolismo, temos a citação de entidades espirituais na tentativa de evocá-las e assim atingir um plano espiritual mais elevado buscando a afastamento da realidade concreta pois o poema não descreve nenhum objeto ou uma situação de um caso de amor, de cultivarem o subjetivismo posto de lado pelos parnasianos.
 O poema não apresenta um esquema de rimas fixo, embora tenha predominância nas estrofes o esquema ABAB, característica parnasiana que os simbolistas não apreciavam. Apresenta rimas ricas, pois aparecem diferentes classes gramaticais (Do sonho as mais azuis diafaneidades - adjetivo), (...se levantem - verbo), (castidades - substantivo), (...cantem - verbo).







     

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Realismo

 Realismo - Realismo é a denominação genérica da reação aos ideais românticos que caracterizou a segunda metade do séculoXIX. De fato, as profundas transformações vividas pela sociedade europeia exigiam uma nova postura diante da realidade; não havia mais espaço para as exageradas idealizações românticas.
 Constituindo uma oposição ao idealismo romântico, o Realismo propõe uma representação mais objetiva e fiel da vida humana. O romance não é mais visto como distração e sim como meio de combate e de crítica às instituições decadentes. O Romantismo exaltava os valores burgueses, o Realismo analisava com impiedosa visão crítica, denunciando a hipocrisia e corrupção da classe burguesa, focalizando suas duas instituições básicas: o casamento e a igreja.
 No Brasil, a literatura realista encontrou boa expressão nas obras dos seguintes autores: Machado de Assis, Raul Pompéia, Aluísio Azevedo, Adolfo Caminha, Domingos Olímpio, Manuel de Oliveira Paiva e Inglês de Sousa.


 Naturalismo - Nas obras dos autores realistas podemos distinguir, frequentemente, algumas características que definem uma tendência chamada Naturalismo.
 O Naturalismo enfatiza o aspecto materialista da existência, vendo o homem como um produto biológico, cujo comportamento é o resultado da pressão do ambiente social. O homem passa a ser encarado pelos instintos (sempre comparados com animais).


 Aluísio Azevedo


 Foi o principal autor realista - naturalista brasileiro, seus principais romances foram: O Mulato, Casa de Pensão e O Cortiço.
 Revelando influências do escritor português Eça de Queirós, Aluísio Assumiu uma posição crítica denunciando a corrupção e a hipocrisia da burguesia e do clero, chamando a atenção para problemas sociais, numa atitude polêmica, de acordo com o espírito combativo da época.


 Enredo de O Cortiço


 Os moradores do cortiço são inquilinos de João Romão, trabalham em sua pedreira e fazem compras em sua taverna, o que significa que dele dependem para tudo, e que ele os explora ao máximo.
 Embora viva com Bertoleza, ex-escrava supostamente alforriada, João Romão,, à medida que vai enriquecendo, pensa em se casar com zulmira, filha de Miranda, a fim de adquirir melhor condição social.
 Um episódio importante do livro é desencadeado pelo aparecimento de Jerônimo e sua mulher Piedade no cortiço. Jerônimo - português conservador, apaixona-se por Rita Baiana, a típica mulata sensual namorada de Firmo, capoeirista morador de outro cortiço - o Cabeça de Gato. Os rivais se enfrentam sendo que Jerônimo é ferido com uma navalhada. Depois, arma uma emboscada e assassina Firmo.
 Há um confronto, então, entre o Cabeça de Gato e o Cortiço de João Romão: neste confronto um incêndio é provocado e fica claro no final do livro que a destruição gerada só trouxe melhorias e prosperidade ao cortiço de João Romão: agora mais próximo de Zulmira e livre de Bertoleza, traída por João Romão, o qual a delata para seus antigos senhores. Bertoleza, ao ser ameaçada de voltar ao cativeiro, suicida-se.


 Raul Pompéia


 Foi romancista, cronista, poeta, contista, cronista e caricaturista. Participou ativamente da imprensa política da época (séc. XIX). Como escritor suas obras foram: O Ateneu, Uma tragédia no Amazonas e Canção sem Metro (poemas em prosa).


 O Ateneu


 Publicado em 1888, O Ateneu é uma das obras mais importantes do nosso Realismo. A ação deste romance transcorre no ambiente fechado e corrupto de um internato, onde convivem crianças, adolescentes, professores e empregados, e a narração dos fatos é feita por Sérgio, ex aluno da escola.
 As recordações e impressões que marcaram sua vida durante os anos que passou no Ateneu constituem a matéria do romance, que adquire um caráter memorialista. Neste sentido, O Ateneu não é uma reprodução da realidade, mas sim o resultado de uma experiência vivida em termos de impressões pessoais. O mundo da escola é sempre visto e retratado a partir da perspectiva particular e deformadora de Sérgio. Desse modo, a instituição, os colegas, os professores e o diretor Aristaco são representados em função de uma ótica caricatural, em que os erros, hipocrisias e ambições são projetados. É uma obra impressionista, o livro concentra-se na descrição das cenas como se tratassem de uma sucessão de quadros.


 Machado de Assis


 Foi o melhor escritor brasileiro do século XIX e um dos mais destacados de toda a nossa literatura. Destacou-se principalmente no romance e no conto, e escreveu também poesia, teatro, crônica e crítica literária.
 Nas obras de Machado de Assis, podemos observar o interesse na análise psicológica dos personagens, um certo humorismo, monólogos interiores e os cortes na ordem linear das narrativas (o autor pausa a história e conversa com o leitor ou volta ao passado para explicar uma situação).
 Seu humor tinge-se, então, de pessimismo, ironia amarga e cruel. A vida surge como um campo de batalha, onde os homens lutam e procuram destruir-se. A religião é uma máscara para encobrir o egoísmo dos indivíduos.


 Enredo de Dom Casmurro


 Bentinho era um menino a quem foi destinada, por promessa da mãe - dona Glória - uma vida religiosa, mas que não conseguiu assumi-la, devido à paixão que sentia por Capitu, sua vizinha.
 Graças à interferência de José Dias, agregado da casa, Bentinho sai do seminário. O namoro entre Bentinho e Capitu se prolonga;o tempo passa. Bentinho se forma em direito, estreita sua amizade com Escobar, ex colega de seminário, e se casa com Capitu, a qual tem uma amiga, Sancha, que se casa com Escobar.
 Então começa o conflito: Escobar morre num acidente. Julgando estranha a forma pela qual Capitu contempla o cadáver e lembrando-se da referência de José Dias aos seus "olhos de ressaca", "olhos de cigana, oblíquos e dissimulados", Bentinho entrega-se ao sentimento de ciúme a ponto de planejar a morte da esposa e do filho - Ezequiel - que julga cada vez mais parecido com Escobar.
 O casa se separa, Capitu e Ezequiel morrem anos depois e Bentinho, cada vez mais fechado em si mesmo, cada vez mais atormentado pelas dúvidas que nunca o abandonam, passa a ser chamado de Casmurro (teimoso,calado,muito fechado,difícil de abordar).










GoAnimate.com: Pequeno comentário sobre Dom Casmurro by Elaine Ruiz

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domingo, 5 de setembro de 2010

Romantismo - prosa

 O início da prosa literária brasileira ocorreu no Romantismo. Com o desenvolvimento de algumas cidades, o entusiasmo pela economia cafeeira, houve uma "explosão cultural". Com a conquista do poder pela burguesia, surgiu a necessidade de democratizar a literatura, tornando-a mais acessível. Os leitores buscavam na literatura apenas distração, torciam pelas suas personagens e sofriam com as desilusões de suas heroínas.

 O romance tem como estrutura a narrativa, não comporta apenas um núcleo e sim várias tramas que se desenvolvem durante a narração da história principal.

 Romance Urbano

 Os romances urbanos são os que desenvolvem temas ligados à vida social, a variedade dos tipos humanos, os problemas sociais e morais decorrentes do desenvolvimento da cidade, tudo serviu de fonte para os nossos romancistas.
 A Moreninha - primeiro romance publicado no Brasil, autor: Joaquim Manuel de Macedo. Este romance durou um ano para ser publicado porque é um romance de folhetim, era publicado capítulo por capítulo no jornal, a protagonista de A Moreninha é Carolina, uma personagem travessa, inquieta, inconsequente e às vezes engraçada; viva e curiosa e em algumas ocasiões impertinente.

 Romance Sertanejo ou Regionalista

 Desejo de explorar e investigar o Brasil do interior fizeram o autor romântico se interessar pela vida e hábitos das populações que viviam distante das cidades. Abria-se assim para o Romantismo o campo do romance sertanejo, que até hoje continua a fornecer matéria à nossa literatura.

 Romance Histórico

 Foi um dos principais meios encontrados pelos românticos para a reinterpretação nacionalista de fatos e personagens de nossa história numa revalorização e idealização de nosso passado.

 Romance Indianista

 Fase do processo de construção da identidade nacional, foi com José de Alencar que o romance indianista se pôs a serviço de uma visão da "nova" sociedade brasileira. Seus livros clássicos, O Guarani e Iracema apresentam os índios como bons selvagens, belos, fortes, livres e subservientes ao branco. Como em Gonçalves Dias, os índios morrem no fim, mas em Alencar, essa morte se realiza numa espécie de altar de sacrifícios e dela emerge o novo Brasil. Iracema, "a virgem dos lábios de mel, cabelo mais negro que a asa da graúna", morre de amor. Peri se deixa tragar pelo dilúvio, sempre servil a sua senhora Ceci, embora o destino desses dois não seja explícito. Em Alencar o índio e a própria natureza brasileira são postos a serviço do nobre conquistador.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Romantismo - Poesia

 Na Europa, a partir da metade do século XVIII, surgiram autores que apresentaram novas concepções literárias. Em suas obras, eles expressaram sentimentos inspirados nas tradições nacionais, falavam de amor, e saudade num tom pessoal. Era o surgimento do Romantismo que foi desenvolvendo-se, e enriquecendo-se à medida que se expandia. Desta forma, acabou adquirindo características diferentes.
 No Brasil, era cada vez maior o desejo de uma literatura nacional. Assim apresentou-se a primeira tentativa consciente de se produzir literatura verdadeiramente brasileira, abandonando o tom lusitano em favor de um estilo mais parecido com a fala brasileira, principalmente porque a proclamação da Independência ocorreu e houve um desejo cada vez maior de desvincular a linguagem brasileira da lusitana.
 Principais características do Romantismo:

  • Exaltação dos sentimentos pessoais;
  • Exaltação do "eu" - subjetivismo;
  • Expressão dos estados da alma, paixões e emoções;
  • Desejo de liberdade, igualdade, valorização da natureza (poder de Deus, refúgio acolhedor para o homem que foge dos vícios e corrupções da vida em sociedade.
  • Fuga da realidade através da arte.
Transformação da linguagem, composições de metro fixo não eram mais utilizadas, os românticos preferiram uma linguagem simples, criando ritmos novos e variando as formas métricas.

 A poesia romântica brasileira foi esquematizada em três modos:

  Primeira geração - Indianista ou Nacionalista

 Na Europa, os escritores valorizavam os tempos da Idade Média, valorizando os heróis que ajudaram a libertar suas nações. No Brasil "nossos heróis" eram os índios, símbolos da nossa liberdade, valentes e nobres, livres das corrupções sociais e dos vícios da civilização branca.

 Segunda geração - Mal do século

 Byroniana ou ultra-romântica

 Temas amorosos levados ao extremo, poesias marcadas por um profundo pessimismo, tristeza e visão decadente da vida e da sociedade. Também aborda o amor platônico (fuga do real, sonho e fantasia), individualismo, a morte e seus mistérios.

 Terceira geração

 Condoreirismo

 Poesia social e libertária (abolicionista), "geração hugoana", poeta francês Victor Hugo - defesa do ser humano oprimido (no Brasil, o escravo). Linguagem vibrante, metáforas, antíteses, hipérboles empregados em elementos da natureza, que sugerem imensidão e força. Condoreirismo originou-se do condor, ave de voo alto capaz de enxergar à distância. A poesia amorosa é mais sensual, aparece em um clima de erotismo e paixão.  

 Trechos do poema: O canto do guerreiro - Indianista (Gonçalves Dias)

 Aqui na floresta
 Dos ventos batida,
 Façanhas de bravos   
 Não geram escravos, (ideal de liberdade)
 Que estimem a vida
 Sem guerra e lidar.
 -Ouvi-me, Guerreiros, (vocativo)
 -Ouvi meu cantar.

 Valente na guerra
 Quem há, como eu sou?
 Quem vibra o tacape
 Com mais valentia?
 Quem golpes daria
 Fatais, como eu dou?
 -Guerreiros, ouvi-me;
 -Quem há, como eu sou?

 Quem guia nos ares
 A frecha implumada,
 Ferindo uma presa,
 Com tanta certeza,
 Na altura arrojada
 Onde eu a mandar?
 -Guerreiros, ouvi-me,
 -Ouvi meu cantar.
 .................................

 Nestes trechos do poema, Gonçalves Dias usou versos com ritmos (existe musicalidade no poema), o uso de travessão no poema é para reforçar a emoção do poeta, os pontos de interrogação também. Guerreiros com letra maiúscula na primeira estrofe, é um símbolo, um significado especial aos índios.

 Poema: Soneto - Geração Mal do Século (Álvares de Azevedo)

 Pálida à luz da lâmpada sombria,
 Sobre o leito de flores reclinada,
 Como a lua por noite embalsamada,
 Entre as nuvens do amor ela dormia!

 Era a virgem do mar! Na escuma fria,
 Pela maré das águas embaladas!
 Era um anjo entre as nuvens d'alvorada
 Que em sonhos se embalava e se esquecia!

 Era mais bela! O seio palpitando...
 Negros olhos as pálpebras abrindo...
 Formas nuas no leito resvalando...

 Não te rias de mim, meu anjo lindo!
 Por ti - as noites eu velei chorando,
 Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!

 Este poema tem: subjetividade (egocentrismo), sentimentalismo, idealização da amada, amor platônico, mulher vista como um anjo, ela é inatingível, virgem.
 A abertura e o encerramento da primeira estrofe deste soneto, se dá com dois vocábulos polissêmicos: Pálida e dormia. Essa polissemia (uma palavra com mais de um sentido), processa a ambiguidade poética do soneto, ao mesmo tempo em que a amada do poeta é virgem, pura, ele a descreve em certos trechos do poema uma erotização da sua musa. A idealização da mulher é particularizada, subjetiva. Amor e felicidade são ideais impossíveis.

  Trechos do poema Navio Negreiro - Condoreirismo (Castro Alves)

 'Stamos em pleno mar...Doudo no espaço
 Brinca o luar - dourada borboleta;
 E as vagas após ele correm...causam
 Como turba de infantes inquieta

 'Stamos em pleno mar...Do firmamento
 Os astros saltam como espumas de ouro...
 O mar em troca acende as ardentias,
 -Constelações do líquido tesouro...

 .........................................................

 Era um sonho dantesco...o tombadilho
 Que das luzernas avermelha o brilho.
 Em sangue a se banhar.
 Tinir de ferros...estalar de açoite...
 Legiões de homens negros como a noite,
 Horrendos a dançar...

 Negras mulheres, suspendendo às tetas
 Magras crianças, cujas bocas pretas
 Rega o sangue das mães:
 Outras moças, nuas e espantadas,
 No turbilhão de espectros arrastados,
 Em ânsia e mágoa vãs!

 ...........................................................

 Fatalidade atroz que a mente esmaga!
 Extingue nesta hora a brigue imundo
 O trilho que Colombo abriu nas vagas,
 Como um íris no pélago profundo!
 Mas é infâmia demais!...Da etérea plaga
 Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
 Andrada! arranca esse pendão dos ares!
 Colombo! fecha a porta dos teus mares!

 Podemos observar nestes trechos do poema que Castro Alves denunciava a desumanidade cometida nos navios negreiros, era uma forma de "desabafo" à indignação do poeta contra as tiranias e opressões. é um tipo de poesia onde predominam as comparações, metáforas, antíteses, hipérboles e apóstrofes, empregadas em função de elementos da natureza que sugerem imensidão, força e majestade.







                                                

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Arcadismo

 No século XVIII na Europa apresentou- se uma fase de transformação cultural. Houve uma valorização da razão como progresso social e cultural. Essas ideias de racionalismo eram opostas às ideias religiosas do Barroco, que foram consideradas retrógradas. Contra os exageros do estilo Barroco, os autores resolveram propor uma literatura simples, espontânea, voltada à natureza, paisagens campestres, pastores e pastoras vivendo uma existência sadia. Arcadismo origina-se de uma região da Grécia chamada Arcádia, segundo a mitologia pastores viviam uma vida de amor e poesia.
 Outras características do Arcadismo:
  •  O uso de pseudônimos de pastores latinos ou gregos;
  •  Desprezo em morar nos centros urbanos (fugere urbem - fugir da cidade);
  •  Carpe diem - viver o momento;
  •  Reação ao exagero Barroco;
  •  A literatura é fácil de ser entendida;
  •  O Arcadismo também é conhecido como Neoclassicismo (inspiração na sobriedade dos poetas clássicos do Renascimento e Antiguidade grega e latina.
 Poema de Tomás Antônio Gonzaga

 Lira XVI

 Minha bela Marília, tudo passa;
 a sorte deste mundo é mal segura;
 se vem depois dos males a ventura,
 vem depois dos prazeres a desgraça.
     Estão os mesmos deuses
 sujeitos ao poder do ímpio fado:
 Apolo já fugiu do céu brilhante,
      já foi pastor de gado.

 A devorante mão da negra morte
 acaba de roubar o bem que temos;
 até na triste campa não podemos
 zombar do braço da inconstante sorte:
    qual fica no sepulcro,
 que seus avós esgueram, descansado;
 qual no campo, e lhe arranca os frios ossos
     ferro do torto arado.

 Ah! enquanto os destinos impiedosos
 não voltam contra nós a face irada,
 façamos, sim, façamos, doce amada,
 os nossos breves dias mais ditosos.
     Um coração que, frouxo,
 a grata posse de seu bem difere,
 a si Marília, a si próprio rouba,
     e a si próprio fere.

 Ornemos nossas testas com as flores,
 e façamos de feno um brando leito;
 prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
 gozemos do prazer de sãos amores.
     Sobre as nossas cabeças,
 sem que o possam deter, o tempo corre:
 e para nós, o tempo que se passa,
    também, Marília, morre.

 Com anos, Marília, o gosto falta,
 e se entorpece o corpo já cansado;
 triste, o velho cordeiro está deitado,
 e o leve filho, sempre alegre, salta.
     A mesma formosura
 é dote que só goza a mocidade:
 rugam-se as faces, o cabelo alveja,
     mal chega a longa idade.

 Que havemos de esperar, Marília bela?
 que vão passando os florescentes dias?
 as glórias que vêm tarde, já vêm frias,
 e pode enfim mudar-se a nossa estrela.
      Ah! não, minha Marília,
 aproveite-se o tempo, antes que faça
 o estrago de roubar ao corpo as forças,
      e ao semblante a graça!

                                                                ( Apud Candido, Antonio e Castello, J.A. Presença da Literatura
                                                                 Brasileira. v.1, p. 193-94.)


 Podemos observar neste poema:

 - Idealização da mulher amada (Marília);
 - Deus grego (Apolo);
 - Norma poética (todas as estrofes têm 8 versos);
 - A velhice é incerta ("Com os anos Marília, o gosto falta...");
 - Quem tira a felicidade a si fere ("a grata posse de seu bem difere...");
 -Exaltação dos prazeres da vida física ("...gozemos do prazer de são amores.").

 

domingo, 25 de julho de 2010

Barroco

O Barroco surgiu no século XVII na Europa, este foi um estilo literário marcado pela linguagem rebuscada, uso de antíteses e paradoxos que expressavam a visão de mundo barroca num tempo em que o homem tentava conciliar a glória e o valor humano despertados pelo Renascimento com as ideias de submissão e pequenez diante de Deus e a Igreja.São situações contraditórias marcantes no Barroco:
Teocentrismo X Antropocentrismo
dúvidas X incertezas
emoção X razão
céu X terra
fé X ciência
No Brasil, dos escritores que manifestaram em suas obras influências barrocas, destacam-se o padre Antônio Vieira(prosa) e Gregório de Matos(poesia).
Análise de trechos dos poemas de Gregório de Matos:

"se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido;
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos deu,como afirmais na sacra história
Antítese: Pecado /perdão

"Mas vejo,que por bela, e por galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda."
Figura do paradoxo.

"Porém,se acaba o Sol, por que nascia?
Se tão formosa a luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?"
Frases interrogativas: Dúvidas e incertezas.
As frases estão em ordem inversa,valorizam a poesia mas retrata a falta de clareza,um indício de incerteza daquilo que se quer.

"É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida."
Este trecho retrata a vaidade do homem, são os desenganos da vida humana metaforicamente retratados.