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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Parnasianismo e Simbolismo

 Parnasianismo e simbolismo

 Duas concepções poéticas diferentes - Nas últimas décadas do século XIX, a literatura brasileira trilhou novos caminhos, abandonando o exagerado sentimentalismo dos românticos.
 Enquanto na prosa, houve o desenvolvimento do Realismo e do Naturalismo, na poesia presenciamos o surgimento de dois novos movimentos: O Parnasianismo e o Simbolismo.

 Estilo parnasiano

Na França, quando o romance realista - tendo a frente Zola - seguiu para o Naturalismo, seduzido pelo cientificismo da época, a sensibilidade dos poetas, não aceitando bem a imagem do "homem fisiológico", resolveu comprometer-se com o respeito pela arte, pelo ofício e pelo artifício. Um grupo de poetas publicou uma coletânea de versos intitulada Parnaso Contemporâneo, lembrando o nome da montanha da Fócida, Parnaso, consagrada a Apolo e às Musas. Talvez assim pretendessem patentear seu isolamento e sua elevação. Esses poetas e seus seguidores passaram a ser chamados de parnasianos.

 Características das poesias parnasianas:

 -Preocupação formal que se revela na busca da palavra exata, caindo muitas vezes no preciosismo; o parnasiano, confiante no poder da linguagem, procura descrever objetivamente a realidade.
 -Comparação da poesia com as artes plásticas, sobretudo com a escultura.
 -Atividade poética encarada como habilidade no manejo dos versos.
 -Frequentes alusões a elementos da mitologia grega e latina.
 -Preferência por temas descritivos - cenas históricas, paisagens, objetos, estátuas etc.
 -Enfoque sensual da mulher, com ênfase na descrição de suas características físicas.


                                            Última deusa

                    Foram-se os deuses, foram-se, em verdade;
                    Mas das deusas alguma existe, alguma
                    Que tem teu ar, a tua majestade,
                    Teu porte e aspecto, que és tu mesma, em suma.

                    Ao ver-te com esse andar de divindade,
                    Como cercada de invisível bruma,
                    A gente à crença antiga se acostuma
                    E do Olimpo se lembra com saudade.

                    De lá trouxeste o olhar sereno e garço,
                    O alvo colo onde, em quedas de ouro tinto,
                    Rútilo rola o teu cabelo esparso...

                    Pisas alheia terra... Essa tristeza
                    Que possuis é de estátua que ora extinto
                     Sente o culto da forma e da beleza.

                                                                           (Alberto de Oliveira)


                                       A um poeta

                   Longe do estéril turbilhão da rua,
                   Beneditino escreve! No aconchego
                   Do claustro, na paciência e no sossego.
                   Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

                   Mas que na forma se disfarce o emprego
                   Do esforço; e a trama viva se construa
                   De tal modo, que a imagem fique nua,
                   Rica mas sóbria, como um templo grego.

                   Não se mostre na fábrica o suplício
                   Do mestre. E natural, o efeito agrade,
                   Sem lembrar os andaimes do edifício:

                   Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
                   Arte pura, inimiga do artifício,
                   É a força e a graça na simplicidade.

                                                                                 (Olavo Bilac)

 Versificação: Soneto14 versos, 4 estrofes, 2 quartetos e 2 tercetos.
 Versos: decassílabos (10 sílabas poéticas).
 Rima: ABBA/ BAAB/ CDC/ DCD.
 Metalinguistíca: Mensagem como tema. Um poeta dedicando o poema ao poeta. Olavo Bilac dedica a sua poesia a um poeta Beneditino - fala sobre a construção e o "sofrimento" do monge Beneditino na composição dos seus poemas. Composição da poesia: racional, construída a partir do trabalho dos artistas que gostam de usar a razão, a técnica, a lógica e buscam sempre a perfeição formal.


 Simbolismo

 O movimento simbolista também é de origem francesa e seu marco inicial no Brasil é a publicação, em 1893, de dois livros de Cruz e Sousa: Missal (poemas em prosa) e Broquéis (poesias).
 Por seu subjetivismo, o Simbolismo apresenta algumas semelhanças com a poesia romântica, porém a grande diferença reside na linguagem bem mais trabalhada dos simbolistas, que procuram obter variados efeitos rítmicos e sonoros.
 -Preocupação formal que se revela na busca de palavras de grande valor conotativo e ricas em sugestões sensoriais; o simbolista não pretende descrever a realidade, mas sugeri-la.
 -Comparação da poesia com a música.
 -A poesia é encarada como forma de evocação de sentimentos e emoções.
 -Frequentes alusões a elementos evocadores de rituais religiosos (incenso, altares, cânticos, arcanjos, salmos etc.)
 -Preferência por temas subjetivos, que tratem da morte, destino, de Deus etc.
 -Enfoque espiritualista da mulher, envolvendo-a num clima de sonho onde predomina o vago, o impreciso e o etéreo.

 Trechos do poema Antífona de Cruz e Sousa:

 Ó formas alvas, brancas, formas claras
 De lugares, de veves, de neblinas!...
 Ó formas vagas, fluidas, cristalinas...
 Incensos dos turíbulos das aras...

 Formas do amor, constelarmente puras,
 De virgens e santas pavorosas...
 Brilhos errantes, mádidas frescuras
 E dolências de lírios e de rosas...

 Indefiníveis músicas supremas,
 Harmonias da cor e do perfume...
 Horas do ocaso, trêmulas, extremas,
 Réquim do sol que a dor da luz resume...

 Visões, salmos e cânticos serenos,
 Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
 Dormências de volúpticos venenos
 Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...

 Infinitos espíritos dispersos,
 Inefáveis, edênicos, aéreos,
 Fecundai o mistério destes versos
 Com a chamada ideal de todos os mistérios.

 Do sonho as mais azuis diafaneidades
 Que fuljam, que na estrofe se levantem
 E as emoções, todas as castidades
 Da alma do verso, pelos versos cantem.

 O poema Antífona de Cruz e Sousa, apresenta a tematização do mistério, sensações, angústia da dor de existir e elevação do espírito.
 É um poema de cunho e vocabulário religioso como o próprio título - Antífona é um curto versículo recitado ou cantado antes ou depois de um salmo. Palavras como incenso, turíbulos, visões, salmos, cânticos.
 Como característica marcante do Simbolismo, temos a citação de entidades espirituais na tentativa de evocá-las e assim atingir um plano espiritual mais elevado buscando a afastamento da realidade concreta pois o poema não descreve nenhum objeto ou uma situação de um caso de amor, de cultivarem o subjetivismo posto de lado pelos parnasianos.
 O poema não apresenta um esquema de rimas fixo, embora tenha predominância nas estrofes o esquema ABAB, característica parnasiana que os simbolistas não apreciavam. Apresenta rimas ricas, pois aparecem diferentes classes gramaticais (Do sonho as mais azuis diafaneidades - adjetivo), (...se levantem - verbo), (castidades - substantivo), (...cantem - verbo).